Preço por quilo no mercado: como comparar embalagens
Compare embalagens pelo preço por quilo ou litro, inclusive pelo peso drenado, e veja quando a mais barata por quilo não cabe na compra de hoje.
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Para comparar duas embalagens no mercado, primeiro ponha o preço na mesma unidade: quilo, litro ou, quando fizer sentido, unidade. Depois confira o valor que sairá do bolso hoje e a quantidade que você pretende usar. O menor preço por quilo não significa automaticamente a melhor compra para a sua casa.
O Código de Defesa do Consumidor inclui a informação de preço por unidade de medida entre os direitos básicos. Uma nota técnica do Procon-MG explica como apresentar esse preço para permitir a comparação entre produtos iguais ou semelhantes. O direito à informação por unidade de medida é do CDC e vale em todo o país; os critérios dessa nota orientam a atuação do Procon em Minas Gerais. O cálculo abaixo é uma ferramenta para ler a oferta; não é uma recomendação de marca ou de quantidade.
Comece pela unidade que permite comparar
Olhe o conteúdo declarado na embalagem ou na etiqueta da gôndola. Para um alimento sólido vendido por peso, compare R$ por quilo. Para um líquido vendido por volume, compare R$ por litro. Se a etiqueta já trouxer essa informação, confira se você está olhando a mesma unidade nos dois produtos. Não compare R$ por 100 g de um com R$ por quilo de outro sem converter.
Quando o preço por unidade não estiver claro, faça a conta com o preço anunciado e a quantidade declarada. Para converter gramas em quilos, divida por 1.000: 500 g são 0,5 kg. Então divida o preço da embalagem pelo peso em quilos. Para mililitros, faça o mesmo caminho até litros.
A nota do Procon-MG usa o quilo e o litro como referência e prevê 100 g ou 100 ml para embalagens com menos de 200 g ou 200 ml, além de metro ou número de unidades para outros itens. Por isso, duas embalagens parecidas podem trazer a etiqueta em unidades diferentes: converta antes de comparar.
Exemplo hipotético: preço por quilo e valor no caixa
Exemplo hipotético, com preços e produtos inventados. Duas embalagens do mesmo alimento têm estas etiquetas:
- A, 500 g: R$ 9,00 — R$ 18,00 por quilo.
- B, 900 g: R$ 14,00 — cerca de R$ 15,56 por quilo (valor arredondado).
Na A, R$ 9,00 ÷ 0,5 kg = R$ 18,00/kg. Na B, R$ 14,00 ÷ 0,9 kg ≈ R$ 15,56/kg. A B custa menos por quilo, mas exige R$ 5,00 a mais no caixa e traz 400 g a mais.
Se a compra de hoje tem limite de R$ 10,00 para esse item, a B não cabe — passa R$ 4,00 do limite —, apesar do preço proporcional menor. Se a quantidade extra não será usada, o cálculo por quilo também não resolve a decisão sozinho. Fim do exemplo hipotético.

Essa é uma comparação entre opções semelhantes. Antes de usar a conta para trocar um produto por outro, confira o que está sendo vendido: composição, peso informado e forma de uso podem ser diferentes. O resultado matemático não diz se os dois itens atendem à mesma necessidade.
Confira o peso que realmente entra na comparação
Alguns alimentos em conserva informam peso líquido e peso drenado. O segundo indica o conteúdo sem o líquido de cobertura. Para mercadorias nas quais o peso drenado deve ser declarado, a nota técnica do Procon-MG orienta basear o preço por unidade no peso drenado. Comparar o peso líquido de uma lata com o drenado de outra distorce a conta.
Exemplo hipotético, com valores ilustrativos: duas latas do mesmo tipo de alimento custam R$ 6,00 e R$ 7,00. A primeira traz 180 g de peso drenado; a segunda, 240 g.
Usando o quilo como unidade comum, elas custam aproximadamente R$ 33,33 e R$ 29,17 por quilo drenado, respectivamente. A segunda tem menor preço proporcional, mas custa R$ 1,00 a mais no caixa. Verifique o rótulo e a quantidade de que precisa. Fim do exemplo hipotético.
Se houver promoção ou preço diferente por forma de pagamento, use na conta o valor que de fato vale para você nas condições anunciadas. A nota do Procon-MG trata da informação de preço por unidade quando variam as condições de pagamento e da veracidade das ofertas. Na dúvida sobre a etiqueta, peça esclarecimento ao estabelecimento antes de pagar.
Termine pela compra que você consegue usar e pagar
Anote três números: preço da embalagem, quantidade e preço por unidade de medida. Em seguida, pergunte se o valor total cabe na compra e se aquela quantidade tem uso previsto. Se a resposta for não, a embalagem proporcionalmente mais barata pode esperar. Não é preciso calcular todos os itens do mercado; comece pelos produtos que você compra com frequência e que aparecem em tamanhos diferentes.
Para decidir o que precisa entrar no carrinho, use a lista de compras semanal dentro do orçamento. Para situar essa compra no quadro maior, veja o orçamento do mês quando as despesas variam. Este artigo cuida da comparação na gôndola; os outros ajudam a planejar a compra e acompanhar o mês.
Este conteúdo é educativo e não substitui orientação financeira individualizada. Os exemplos não representam preços de mercado nem garantem economia.
Fontes
- Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), art. 6º, XIII — Presidência da República (Planalto), consultado em
- Nota Técnica nº 01/2022 — definição e critérios para precificação por unidade de medida — Procon-MG / Ministério Público de Minas Gerais, consultado em